Linux Kamarada

Dicas para usar o VirtualBox no dia a dia

Nessa parte 3 de uma trilogia de posts sobre o VirtualBox, você verá como criar um disco rígido virtual e instalar o Linux na máquina virtual, assim como dicas para usar o VirtualBox no dia a dia. Como exemplo, vou usar a distribuição Linux Kamarada, baseada no openSUSE.

Nos textos anteriores, vimos o que é virtualização, o que é o VirtualBox, como instalá-lo no Windows e no Linux, como criar uma máquina virtual e como usá-la para experimentar o Linux.

Caso você tenha caído aqui de paraquedas, recomendo que leia os textos anteriores:

Prevenir a ejeção do LiveCD/DVD

Alguns sistemas operacionais convidados, a exemplo do Ubuntu, ejetam a mídia live ao desligar:

"Por favor, remova a mídia de instalação e pressione Enter", em inglês

"Por favor, remova a mídia de instalação e pressione Enter", em inglês

Em um computador “de verdade”, o LiveDVD é ejetado nesse momento.

Em uma máquina virtual do VirtualBox, o leitor de DVD virtual fica vazio. Para iniciar a VM novamente, você teria que mais uma vez inserir a imagem ISO no leitor de DVD virtual, como vimos na parte 1. Se você está iniciando a VM várias vezes pela mídia live, ter que reinserir a imagem ISO toda hora é desnecessariamente trabalhoso.

Felizmente, o VirtualBox tem uma opção para prevenir a ejeção da mídia. Para ativá-la, selecione a máquina virtual na tela inicial, clique em Configurações, abra a seção Armazenamento, selecione o leitor de DVD virtual e ative a opção LiveCD/DVD:

Agora, ao desligar a VM, a mídia não será mais removida. Você poderá iniciar a VM novamente sem precisar reinserir a imagem ISO manualmente.

Criando um novo disco rígido virtual

Se você seguiu essa trilogia de posts sobre o VirtualBox, até agora só usou uma imagem live do Linux na máquina virtual. Dessa forma, quaisquer alterações feitas no SO convidado são perdidas ao desligar a VM. Para ter um primeiro contato com o Linux, uma imagem live é excelente, mas usar o computador no dia a dia não se parece com isso.

Para ter na máquina virtual uma experiência mais próxima de usar o Linux em uma máquina real, vamos instalar o Linux na VM. Para isso, precisamos antes criar um disco rígido virtual.

Com a VM desligada, selecione-a na tela inicial do VirtualBox, clique em Configurações, abra a seção Armazenamento, selecione a Controladora SATA e clique no ícone Adicionar disco rígido:

O VirtualBox pergunta se você deseja criar um novo disco ou usar um disco já existente. Clique em Criar novo disco:

O VirtualBox suporta alguns tipos de discos rígidos virtuais. Provavelmente você não pretende usar esse disco com outro software de virtualização, então mantenha selecionado o tipo nativo do VirtualBox, VDI (VirtualBox Disk Image), e clique em Próximo:

Um disco rígido virtual, para o SO hospedeiro, é um arquivo. Você pode escolher se deseja:

  • criar um arquivo do tamanho total do disco (por exemplo, um disco de 20GB seria, já de início, um arquivo de 20GB) — opção Tamanho Fixo — ou
  • criar um arquivo do tamanho dos dados de fato armazenados (o arquivo começa pequeno e cresce conforme o disco virtual é usado, até o limite de 20GB) — opção Dinamicamente alocado.

Eu recomendo que você mantenha selecionada a opção Dinamicamente alocado e clique em Próximo:

Informe uma localização e tamanho para o disco rígido virtual — 20GB são suficientes para instalar o Linux Kamarada (ou o openSUSE) e testar com conforto — e clique em Criar:

Pronto: disco rígido virtual criado e pronto para ser usado. De volta à caixa de diálogo Configurações, clique em OK para fechá-la e voltar para a tela inicial do VirtualBox.

Instalando o Linux na máquina virtual

Certifique-se que a imagem ISO do Linux está no leitor de DVD virtual e inicie a VM.

Inicie o instalador do Linux Kamarada clicando em seu ícone na dock:

(a título de curiosidade, o instalador é um software livre chamado Calamares)

Na primeira tela do instalador, o idioma português (Brasil) já vem selecionado por padrão. Clique em Próximo para continuar.

Na segunda tela, Partições, fazemos o particionamento do disco rígido. Como você vai usar essa máquina virtual só para experimentar o Linux e somente ele será instalado no disco, não precisa se preocupar com isso, apenas selecione Apagar disco e clique em Próximo:

Na tela seguinte, Resumo, o instalador lista as configurações da instalação. Confira se está tudo certo e clique em Instalar:

Observe que, iniciada a instalação, não é possível cancelá-la. Clique em Instalar agora:

Aguarde a instalação do Linux Kamarada, que pode demorar alguns minutos, o instalador mostra o progresso:

Você pode ir tomar um café e voltar logo em seguida.

Quando a instalação terminar, não marque a opção Reiniciar agora, clique em Concluído:

Desligue a máquina virtual normalmente, como vimos na parte 1.

Remova a imagem ISO do leitor de DVD virtual (como quem ejeta um DVD de um leitor de DVD de um computador “de verdade”). Para isso, acesse as configurações da máquina virtual, abra a seção Armazenamento, selecione o leitor de DVD, clique no ícone da mídia e depois, no menu que aparece, clique em Remover Disco do Drive Virtual:

Clique em OK para fechar a caixa de diálogo Configurações e voltar para a tela inicial do VirtualBox.

Agora inicie a máquina virtual. Dessa vez, o sistema será carregado do disco rígido virtual.

Na primeira vez em que é iniciado, o Linux Kamarada apresenta um assistente de configuração para auxiliar com as configurações básicas:

(a título de curiosidade, esse assistente é um módulo do YaST chamado Firstboot)

Na primeira tela do assistente, o idioma Português brasileiro e o leiaute (layout) de teclado Português (Brasil) já vem selecionados por padrão. Clique em Próximo para continuar.

Na tela de boas vindas, clique em Próximo:

Na tela seguinte, você é apresentado à licença de uso do openSUSE Leap, que é a mesma licença de uso do Linux Kamarada. Não precisa se preocupar com essa licença: uma vez que o openSUSE é um software livre, ela não limita a forma como você pode usá-lo. Você pode lê-la se quiser conhecer seus direitos. Quando terminar, clique em Próximo:

Na próxima tela, Relógio e fuso horário, verifique se as configurações de fuso horário, data e hora estão corretas e clique em Próximo:

Na tela seguinte, você vai criar uma conta de usuário para você. Informe seu nome completo, qual nome de usuário (login) e senha você deseja. Para facilitar o uso da VM, recomendo marcar as opções Usar esta senha para o administrador do sistema e Login automático. Quando terminar, clique em Próximo:

Na última tela do assistente, clique em Concluir:

Pronto! O Linux Kamarada está instalado na máquina virtual, a partir de agora é só usá-lo:

Agora vamos ver algumas dicas que podem facilitar esse uso, assim como torná-lo mais interessante.

Placa de rede em modo ponte (bridge)

A depender do que você queira fazer, pode ser necessário comunicar a máquina virtual com outros dispositivos na rede, como uma impressora ou um servidor de arquivos, por exemplo.

Se você não modificou a configuração de rede padrão da máquina virtual, perceberá que a máquina virtual consegue se comunicar com a rede local, mas o contrário não é verdade (outros dispositivos na rede local não conseguem se comunicar com a máquina virtual).

Faça o teste: no SO convidado, abra o terminal e verifique o endereço IP da máquina virtual executando o comando a seguir.

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$ ip -c a

Nesse exemplo, a máquina virtual recebeu o endereço IP 10.0.2.15/24.

No SO hospedeiro, verifique o endereço IP da máquina real. Por exemplo, 10.0.0.10/24.

De volta ao terminal do SO convidado, “pingue” a sua máquina real:

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$ ping 10.0.0.10
PING 10.0.0.10 (10.0.0.10) 56(84) bytes of data.
64 bytes from 10.0.0.10: icmp_seq=1 ttl=63 time=0.219 ms
64 bytes from 10.0.0.10: icmp_seq=2 ttl=63 time=0.535 ms
64 bytes from 10.0.0.10: icmp_seq=3 ttl=63 time=0.697 ms
64 bytes from 10.0.0.10: icmp_seq=4 ttl=63 time=0.534 ms
^C
--- 10.0.0.10 ping statistics ---
4 packets transmitted, 4 received, 0% packet loss, time 3052ms
rtt min/avg/max/mdev = 0.219/0.496/0.697/0.173 ms

(pressione Ctrl + C para interromper o comando ping)

Funciona. Agora tente do SO hospedeiro “pingar” a máquina virtual:

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$ ping 10.0.2.15
PING 10.0.2.15 (10.0.2.15) 56(84) bytes of data.
^C
--- 10.0.2.15 ping statistics ---
4 packets transmitted, 0 received, 100% packet loss, time 3053ms

Não funciona. Isso ocorre porque, por padrão, o VirtualBox provê rede para a máquina virtual no modo NAT (do inglês Network Address Translation, “tradução de endereço de rede”): nesse modo, o SO convidado acessa o mundo exterior por meio do software de rede do SO hospedeiro, que traduz as requisições de rede como se fossem suas. O convidado enxerga a rede, mas a rede não enxerga o convidado, apenas o hospedeiro. Isso é igual ao que o modem da operadora de Internet faz com seu computador em casa: seu computador enxerga a Internet, mas a Internet não enxerga seu computador, apenas seu modem.

Esse é o modo de rede mais simples do VirtualBox. Normalmente não requer configuração nem do SO convidado, nem do SO hospedeiro e é suficiente para navegar em sites, baixar arquivos, etc. Por isso, é o modo padrão de novas VMs e é bom para a maioria dos usos.

Mas o VirtualBox é bastante flexível em como ele virtualiza a rede e oferece outros modos.

O modo que eu costumo usar é o modo ponte (bridge): nesse modo, o VirtualBox envia requisições de rede do SO convidado usando a placa de rede da máquina real diretamente, sem passar pelo software de rede do SO hospedeiro. Na prática, é como se a máquina real e a máquina virtual estivessem conectadas diretamente ao modem de casa. O hospedeiro deixa de estar “entre” o convidado e a rede e passa a estar “do lado” do convidado.

Para configurar a rede da VM como modo ponte, com a VM desligada, acesse suas configurações, abra a seção Rede e mude a opção Conectado a para Placa em modo Bridge:

Caso seu computador tenha mais de uma placa de rede, no campo Nome, logo abaixo, é possível escolher qual placa será usada na ponte para a máquina virtual:

Quando terminar, clique em OK. Inicie a máquina virtual e repita os testes anteriores. Perceba que agora a máquina virtual recebe um endereço IP da mesma rede da máquina real. Essa, por sua vez, agora consegue “pingar” a máquina virtual.

Além dos modos NAT e ponte, o VirtualBox oferece outros modos de rede, que podem ser úteis para outros casos de uso. Se quiser saber mais sobre os modos de virtualização de rede do VirtualBox, consulte o manual do VirtualBox.

Pacote de extensões (Extension Pack)

O software VirtualBox é dividido em duas partes: um pacote principal, com todos os componentes de código aberto licenciados sob a GPLv2, e um pacote de extensões (Extension Pack), com alguns componentes adicionais proprietários da Oracle.

Para mim, a principal vantagem de instalar as extensões é poder virtualizar portas USB 2.0 e USB 3.0 (o pacote principal suporta apenas USB 1.1). O pacote de extensões adiciona mais algumas funcionalidades, que você pode conferir no manual do VirtualBox, se desejar.

O pacote principal foi o que baixamos e instalamos nos posts anteriores.

Para baixar o pacote de extensões, acesse o site oficial do VirtualBox em:

E clique no banner Download VirtualBox 6.0.

Na página seguinte, abaixo de Oracle VM VirtualBox Extension Pack, clique em All supported platforms (todas as plataformas suportadas):

Você vai baixar um arquivo com a extensão .vbox-extpack.

Se seu SO hospedeiro é Windows, você precisará iniciar o VirtualBox como administrador:

Se você usa Linux, isso não é necessário: pode iniciar o VirtualBox como de costume.

Continuando, abra o menu Arquivo e clique em Preferências:

À esquerda, selecione Extensões. À direita, clique no botão Adicionar:

Selecione o arquivo do pacote de extensões que você baixou e clique em Abrir:

Na caixa de diálogo de confirmação, clique em Instalar:

Leia a licença do pacote de extensões (ou, pelo menos, role o texto até o final) e clique em Eu concordo:

Nesse momento, no Linux, é solicitada a senha do administrador (usuário root), que você deve fornecer para continuar.

O VirtualBox informa que o pacote de extensões foi instalado com sucesso, clique em OK:

Perceba que o pacote de extensões agora aparece na lista de extensões instaladas:

Clique em OK para fechar a caixa de diálogo Preferências e voltar para a tela inicial do VirtualBox.

Observação: você deve usar sempre as mesmas versões do VirtualBox e do pacote de extensões. Quando você atualizar o VirtualBox para uma nova versão, volte ao site do VirtualBox, baixe e instale a versão equivalente do pacote de extensões.

Adicionais para convidado (Guest Additions)

O VirtualBox oferece drivers que podem ser instalados na máquina virtual para melhorar a performance do SO convidado e aumentar a integração com o SO hospedeiro com funcionalidades extras. Esses drivers são chamados de adicionais para convidado (Guest Additions). É recomendado instalá-los para tornar mais rápido e prático o uso da VM.

Se o SO convidado é o Linux Kamarada, saiba que os adicionais para convidado já vem instalados por padrão.

Se o SO convidado é o openSUSE, a forma mais fácil de instalar os adicionais para convidado é obtê-los dos repositórios oficiais da distribuição, o que pode ser feito executando o comando a seguir (no SO convidado, como root):

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# zypper in virtualbox-guest-{tools,x11}

De modo geral, o VirtualBox disponibiliza uma imagem ISO com os adicionais para convidado prontos para instalação no Windows ou em distribuições Linux. Na janela da VM, abra o menu Dispositivos e clique em Inserir imagem de CD dos Adicionais para Convidado:

Se o SO convidado é o Windows, o instalador dos adicionais para convidado deve ser iniciado automaticamente quando a imagem ISO é inserida, ou você pode iniciá-lo manualmente a partir do leitor de DVD virtual:

Se o SO convidado é o Ubuntu, o sistema pergunta se deseja executar o instalador dos adicionais para convidado quando a imagem ISO é inserida:

Se precisar de mais informações sobre como instalar os adicionais para convidado, consulte a documentação do SO convidado ou o manual do VirtualBox.

Observação: se o SO hospedeiro é o Linux Kamarada ou o openSUSE, o VirtualBox não vem com a imagem ISO dos adicionais para convidado e pergunta se você deseja baixá-la.

Clicando em Baixar, o download é iniciado, mas sempre termina com erro:

A operação de rede falhou com o seguinte erro: Durante um pedido de rede Razão desconhecida.

A operação de rede falhou com o seguinte erro: Durante um pedido de rede Razão desconhecida.

Esse é um bug conhecido do openSUSE e já há pessoas trabalhando nele:

Por enquanto, a solução de contorno é baixar manualmente a imagem ISO dos adicionais para convidado e depois inseri-la manualmente no leitor de DVD virtual.

Você pode baixar a imagem ISO dos adicionais para convidado em:

Redimensionando a janela da VM

Com os adicionais para convidado instalados, se você redimensiona a janela da máquina virtual, a resolução de tela do SO convidado é ajustada automaticamente, como se você tivesse mudado a resolução nas configurações de vídeo do SO convidado. Com isso, você pode usar praticamente qualquer resolução de vídeo na máquina virtual, mesmo que não seja uma das resoluções mais comuns (como 1024x768, 1366x768, 1920x1080, etc).

Por exemplo, se a máquina virtual roda o Linux Kamarada com uma resolução de 1024x768 e você redimensiona a janela da máquina virtual tornando-a 100 pixels mais larga, os adicionais para convidado ajustam a resolução da tela automaticamente para 1124x768.

Observação: se o SO convidado é o Linux Kamarada ou o openSUSE, pode ser que você redimensione a janela da VM e a resolução não seja ajustada de imediato.

Esse é outro bug conhecido do openSUSE:

Uma solução de contorno é desligar a máquina virtual, abrir as configurações da máquina virtual, ir na seção Monitor e, no campo Controladora Gráfica, mudar da configuração padrão (VMSVGA) para uma das outras configurações (VBoxVGA ou VBoxSVGA):

Outra opção, se você não quiser reiniciar a VM, é executar (no SO convidado, como root):

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# VBoxClient --vmsvga

Feito isso, redimensionar a janela da VM deve voltar a provocar o ajuste da resolução.

Área de transferência compartilhada

Com os adicionais para convidado instalados, você pode optar por compartilhar a área de transferência dos SOs convidado e hospedeiro. Fazendo isso, passa a ser possível copiar e colar textos da máquina virtual para a máquina real e vice-versa.

Para compartilhar a área de transferência, na janela da VM, abra o menu Dispositivos, abra o submenu Área de Transferência Compartilhada e selecione Bi-direcional:

Sabe um exemplo de como você pode usar essa facilidade? Você pode abrir um tutorial sobre Linux no seu navegador preferido no SO hospedeiro e copiar comandos para o terminal do Linux no SO convidado:

Essas duas funcionalidades são apenas as que eu mais uso dos adicionais para convidado. Se quiser conhecer outras facilidades que eles propiciam, consulte o manual do VirtualBox.

Isso é tudo, pessoal!

Nessa trilogia de posts sobre o VirtualBox, compartilhei o que acredito ser o básico e as principais dicas para que você possa usar esse software de virtualização no dia a dia. Talvez o conceito de máquina virtual seja novo pra você, mas você deve ter percebido que a interface do VirtualBox é intuitiva: à medida em que você vai usando, percebe como funciona e dúvidas que vão surgindo acabam desaparecendo sozinhas com a prática.

Espero que esse texto tenha sido útil. Se restar qualquer dúvida, não hesite em comentar!

Referências

Para escrever esse post, consultei o manual do VirtualBox:

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